Furei pela multidão e cheguei perto do rapaz que estava deitado no chão, os meus olhos pararam e o meu coração não queria acreditar... Não podia ser.... Não...Não...Imposivel. Todo o meu corpo tremia, fixei o olhar naquele corpo sem vida e lá estava ele... o meu melhor amigo, daquele chão de terra, os seus olhos abertos sem brilho...
Alguém me agarrou e me afastou daquele lugar, os bombeiros tentavam em vão devolver-lhe a vida, mas já nada poderia ser feito... Enquanto os meus olhos se afogavam nas próprias lágrimas, eu via ao longe a ambulância a afastar-se. Voltei para casa e tentei acalmar a minha angustia, mas o negro vazio da dor invadia cada pedaço do meu ser.
Tranquei-me em casa e só voltei a sair no dia do funeral...
Nesse dia mal tive coragem de ver o caixão, lá dentro encontrava-se o corpo de alguém que fazia parte de mim, da minha vida... ao ver aquele caixão ser colocado na terra só pensava no quanto a vida era injusta, tentava encontrar uma explicação lógica, mas já nada fazia sentido.
No dia seguinte tentei voltar ao local do acidente, mas os meus pés sempre me levavam para outros caminhos. Durante vários dias só a solidão me acompanhava, os pensamento eram feitos à volta de tudo o que ficara por dizer, finalmente tomei coragem, e fui até ao local do trágico acidente, precisava de falar, mesmo sabendo que o meu amigo não estaria mais lá. Quando lá cheguei, recordei o seu rosto, o seu sorriso, o seu olhar e a maneira como ele me tratava... falei tudo o que nunca tinha dito,pedi desculpa por alguns erros e deixei que os meus lábio transformassem em palavras o que o meu coração sentia, no fundo eu sabia que de alguma forma ele me iria ouvir. Depois de muito falar, preparei-me para voltar para casa e fiz um ultimo pedido: -NUNCA TE ESQUEÇAS DE MIM! Nesse momento todo o meu corpo se arrepiou, e eu senti o calor do seu abraço me envolver, depois o toque da sua mão na minha, nunca tinha sentido algo tão forte e assustador, sentia o medo percorrer as minhas veias mas ao mesmo tempo sentia-me protegida por aquele estranho abraço. Fiz de volta o caminho até casa, sempre envolvida por aquela companhia. Ao chegar à porta de casa despedi-me e aquele suave abraço me abandonou lentamente... Sorri e pensei.... aquele foi o abraço que a morte nos roubou, mas mesmo em mundo separados nós podemos nos despedir uma ultima vez.
Night Angel
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